domingo, 4 de dezembro de 2011

Caboclo Tupinambá
Caboclo Tupinambá
Caboclo Tupinambá das Sete Matas
Lenda
No meio de uma caçada na matas, Tupinambá, levou uma pancada na cabeça não se sabe o que foi, ele ficou desacordado por muito tempo.
Estendido no chão os insetos começaram a picar-lhe e isso fez com que levantasse um mau cheiro atraindo mais animais, um desses animais feroz, foi direto atacar o corpo do índio,quando para surpresa do animal,uma serpente pulou em cima desse animal, no meio dessa gritaria entre a cobra e o animal, o índio acordou assustado, e logo pegou sua faca que carregava na cintura, e atacou o animal, matando-o.
Rapidamente ele e a serpente se afastaram um do outro, mas sem tirar o olhar um do outro, então ele começou a caminhar de um lado e ela do outro, ele estava com medo que a cobra desse o bote, e ela com medo dele matar ela, isso dourou horas de caminhada, ate que ele começou a perceber que ela o ajudava a caçar.
Quando ele sentia perigo, por algum motivo, a serpente ia à frente dele, servindo de isca, e quando o animal ia atacar a cobra, ele matava-o. Eles começaram a ficar tão próximos um do outro, que ele carregava ela no braço, como se fosse um bracelete.
Por ter ficado muito tempo desacordado, Tupinambá, se perdeu nas matas, pois os matos cresceram e as marcas deixadas por ele desapareceram, enquanto eles andavam no meio da mata procurando a saída, a serpente o levou até a morada das cobras, e La elas ensinaram o segredo delas, e as magias para salvar, e nisso elas subiram no corpo dele, curando as feridas, causadas pelos insetos, ele passou a conviver com elas, até que um dia ele se surpreendeu com um ataque da cobra coral, isso aconteceram várias vezes, ela tinha ciúmes dele com as outras cobras, isso foi criando rincha entre os dois. Para provocar a coral, o índio a imitava, até nessa brincadeira ela atacou ele, e acabou matando ela, então ele catou o couro dela e colocou na testa dele, simbolizando ele.
Quando as serpente viram, elas aceitaram, mas as outras coral, não e permaneceu a rincha entre eles. Nisso a serpente foi mostrando para ele as sete matas, ele começou a conhecer as matas como a palma da mão, cada mata tinha seus segredos, as pessoas olham as matas e pensam que a mata é uma só por ser muito grande, mas não, ela é dividida em várias partes, até chegar ao centro da mata vigem, e de tanto eles andarem para lá e para cá, que ele começou a se se lembrar do caminho de sua aldeia, a alegria dele era imensa.
Más para a sua tristeza durante o tempo que ele ficou perdido nas matas, a aldeia dele foi invadida por caçadores, e queimada, matando a mãe dele, antes disso eles usaram e abusaram da mãe dele, e o resto de sua família foi embora dali, com o povo da aldeia, Ele não quis ir atrás deles, preferiu ficar ali, com a sua mais nova amiga, a serpente, já que ela não desgrudava dele. Ali ele montou uma cabana para eles,permanecendo sozinho por pouco tempo,pois assim que as índias viram aquele índio tão bonito,sozinho, quiseram fazer parte daquela mini aldeia,e isso fez com que atraíssem mais índios,formando famílias,Tupinambá se tornou um índio muito triste de poucas palavras,sem perceber aquela mini aldeia se tornou uma grande aldeia,toda as enfermidades que surgiam,eram eles que preparavam os remédios e curavam as pessoas.O carinho entre o índio e a cobra,fez com que eles conseguissem se comunicar pelo pensamento,e nisso ele sentiu quando ela nomeou ele como Tupinambá das sete matas,pois é o único índio que conhece as sete matas e os segredos dela,muito emocionado ao sentir essa vibração de amor e carinho,ele fez uma reunião entre o povo dele e passar essa homenagem para o seu povo.
Com o passar do tempo, a idade foi chegando e a tristeza aumentado, ele sentiu que iria morrer preferiu não se despedir de ninguém então se isolou na mata, sentando de baixo de uma árvore com a cobra grudada no braço, e ficou ali com seus pensamento e a cobra, a sua morte não demorou muito e chegou só que antes dele falecer a serpente faleceu primeiro.
Depois de muito tempo que estava falecido, ele encontrou seu amigo, que era chefe da aldeia onde ele foi criado com muito amor e carinho, a alegria dele nascia de novo, e passou a trabalhar com ele fazendo a caridades nos templos de umbanda e centros espíritas. Vendo todo trabalho do índio,como ele fazia caridade com amor,com a permissão de oxalá,ele falou ao caboclo:
A partir desse momento você vai ter sua própria linha de trabalho, pode escolher sete espíritos, que você tem a permissão de oxalá, sem palavras ele, falou da vida dele, na terra, sendo que o chefe dele já sabia então ele falou que queria ir atrás do espírito da cobra que tanto o ajudou. E eles foram,ao chegar lá, ele viu uma linda cabocla vindo ao encontro deles,e ele sem entender nada,ela começou a explicar tudo.
A serpente em vida foi uma linda cabocla, mas ainda jovem foi estuprada, e jogada nas matas por caçadores, e com o corpo estendido no chão, todo machucada, as cobras vendo aquele corpo todo ferido, começaram a passar por cima, do corpo dela como os outros animais, e com a magia das cobras elas curaram as feridas e do corpo dela e da alma, só que ela não agüentou e acabou falecendo, mas o espírito dela preferiu ficar ali com as cobras, pois durante o dia ela dançava e cantava para atrair os homens, e levando eles, no meio da mata para ficarem perdidos e serem comidos pelos animais, no mesmo jeito que ela foi isso ela fazia por vingança.
Depois ela voltava a ser cobra, Só que ela conheceu o índio, ele ensinou a ela a amizade, o carinho e respeito, a fazendoela esquecer a vingança, que ela trazia no coração dela, e quando ela faleceu sem eles saberem, ela foi despertada do sofrimento, fazendo com que o espírito dela fosse por um caminho de luz.
Ele explicou a intenção dele, de fazer a caridade nos templos de umbanda, e ela aceitou. Não são todas as pessoas que trabalha com o caboclo que traz ela junto,a pessoa é escolhida por oxalá .Ela é uma cabocla de descarrego,e ele é um caboclo de trabalho,quando ela vem na umbanda,ela solta o brado dela ,ou seja o som de uma serpente demonstrando o amor que ela sente por ele.
E ele o piado da cobra coral demonstrando o desafio que ele teve com a cobra coral por causa da serpente, que hoje traz o nome de Cabocla Currupira.

tema: Mãe Menininha




Mãe Menininha do Gantois OLORUM QUEM MANDOU...
Filha de Oxum, a orixá que veste amarelo-ouro, dona do sábado, dos raios e dos trovões, da beleza e do dengo, da feminilidade e da vaidade, das águas doces e do amor... Ufa! Isso já bastaria para fazer dessa baiana uma mulher gloriosa. Mas todos garantem que Oxum a escolheu como filha predileta

POR OSWALDO FAUSTINO

ARQUIVO/ AGÉNCIA O GLOBOFadas madrinhas de artistas, políticos e também das pessoas mais humildes, as ialorixás são as sacerdotisas afro-brasileiras. Uma delas em especial, Mãe Menininha do Gantois, entrou para a galeria de personalidades brasileiras do século 20, graças principalmente à legião de notáveis que procuravam os conselhos e as bênções dela.
O Ilê Lá Nassó, ou Casa Branca do Engenho Velho, com cerca de 300 anos, é o mais antigo terreiro da Bahia. Em meados do século 19, Maria Júlia da Conceição Nazaré saiu dessa casa e fundou o Ilê Iya Omin Axé Iyamassê, que ocupa um terreno em Salvador arrendado de um francês (ou belga) de sobrenome Gantois. A bisneta, Maria Escolástica da Conceição Nazaré, nasceu em 1894 com a missão de dar continuidade à história desse terreiro.
A compleição física franzina e a timidez motivaram o apelido que acompanhou para o resto da vida essa Menininha, cujo imaginário infantil já era dominado pelo candomblé. Biógrafos garantem que a diversão preferida dela era fazer bonecos com folhas de bananeira, sementes e frutas, e chamálos de Xangô, Oxóssi, Ogum e com os nomes dos demais orixás. Quando era bem pequena sonhou que uma menina de cabelos dourados a convidava para, juntas, jogarem búzios na areia. Era o chamado. Anos depois, revelou: "Quando os orixás me escolheram não recusei, mas balancei muito para aceitar". A tia-avó, Pulchéria, a iniciou nos rituais nagôs e nos segredos para comandar o funcionamento daquela casa de santo. Isso só aconteceu a partir de 1924, quando Menininha tinha quase 30 anos. Antes disso, ela dividia o tempo entre as atividades religiosas e o trabalho em um ateliê de costura.
Repressão na "cidade-fé"
Salvador poderia ser chamada de "a cidade-fé". Além das 365 igrejas católicas - uma para cada dia do ano - e incontáveis templos de outras religiões, é a terra onde as sementes do candomblé deram mais e melhores frutos. Isso sempre incomodou a aristocracia baiana, que considerava perigosas as reuniões de negros e mestiços e o fortalecimento de uma cultura diferente da européia. Por isso, nas primeiras décadas do século 20, a repressão policial aos terreiros não conheceu limites.
Sem conseguir acabar com as casas de candomblé, os legisladores resolveram enquadrar essa religião na Lei de Jogos e Costumes. Os rituais deviam encerrar às 22 horas. Uma única denúncia bastava para policiais invadirem os terreiros, furarem atabaques, baterem nos fiéis e quebrarem tudo o que encontrassem.
Isso não aconteceu no Gantois. O jeito de Mãe Menininha, a tranqüilidade e o compromisso dela com a ancestralidade acabaram comovendo e convencendo até mesmo o delegado-chefe. Ele próprio se tornou um devoto fervoroso e ajudou ialorixás e babalorixás nas ações que, na década de 70, puseram fim às restrições. A liderança de Menininha, porém, não foi gratuita, nem uma concessão de ninguém. Deveu-se principalmente à dedicação ao Gantois, aos conhecimentos e aos fundamentos revelados pela antecessora, Mãe Pulchéria, ao espírito incansável, à generosidade e, claro, a uma mãozinha de Oxum. A tradição africana é de que a sabedoria equivale ao tempo de vida. E ela tinha apenas 29 anos quando se tornou ialorixá. Enfrentou desconfiança, fez pé firme e conquistou o respeito da cúpula do candomblé baiano.
"Cercada de ricos e poderosos, nunca deixou de amparar os humildes. Em seu fogão a lenha, sempre aceso, nunca faltava uma chaleira de água para fazer café e panelas de comida para alimentá-los"

Modernidade e popularidade
Segundo Cid Teixeira, professor da Universidade Federal da Bahia, Mãe Menininha interferiu também na religião, quebrando o conservadorismo reinante: "Ela modernizou o candomblé, sem permitir que ele se transformasse num espetáculo para turistas". Foi assim que cativou os famosos, como Jorge Amado, Dorival Caymmi, Antônio Carlos Magalhães, Vinícius de Moraes, Maria Bethânia e Caetano Veloso, que iam ao Gantois pedir conselhos, proteção ou agradecer.

Graças à canção Oração para Mãe Menininha, que Dorival Caymmi escreveu em 1972, e foi gravada por ele e Bethânia, o restante do mundo tomou conhecimento da existência dessa personagem, que, segundo o baiano era, entre outras coisas "a mão doçura... o consolo da gente... a Oxum mais bonita". Contrariando os desejos da musa, a canção a transformou no alvo da curiosidade de milhares de pessoas que iam ao Gantois para conhecer a pessoa que inspirou o compositor.
Entre o trabalho e a família
Além da legião de filhas e filhos religiosos, ela também se dedicava à família, constituída aos 29 anos, quando se casou com o advogado Álvaro McDowell de Oliveira, descendente de ingleses. O casal teve duas filhas, Cleusa e Carmem. Para descansar dos rituais e leituras de búzios, ela tratava das galinhas do terreiro, caminhava pelo milharal ou cuidava da coleção de louças.
Cercada de ricos e poderosos, nunca deixou de amparar as pessoas humildes que chegavam famintas da zona rural e das periferias, ou buscavam um lugar para pernoitar. Em seu fogão a lenha, sempre aceso, nunca faltava uma chaleira de água para fazer café e panelas de comida para alimentá-los.
Foram mais de 60 anos à frente do Gantois. Mãe Menininha dialogava com representantes mais progressistas da Igreja Católica e até com ateus. Domingo, assistia à missa e comungava. Contam que também gostava de ouvir, no rádio, programas evangélicos.
Mãe Menininha deixou este planeta em 13 de agosto de 1986, aos 92 anos. Sucedeu-a a filha mais velha, Mãe Cleusa de Nanã, que morreu em 1998. Hoje a herança de Mãe Meninhinha está nas mãos da caçula Carmem, a Mãe Nenê de Oxalá. Se foi Olorum quem mandou, quem ousa negar?

As Forças De Olorum

  • Na tradição iorubá, os orixás são entidades sobrenaturais, forças da natureza emanadas de Olorum, uma das divindades da criação. Guiam a consciência dos vivos e protegem as atividades de manutenção da comunidade. No Brasil, as religiões que cultuam os orixás jeje-iorubanos recebem os nomes regionais de candomblé (Rio de Janeiro), xangô (Pernambuco e Alagoas), tambor de mina (Maranhão e Pará) e batuque (Rio Grande do Sul). Os principais orixás cultuados no Brasil são:
    OxaláNome brasileiro do orixá Obatalá, emanação direta de Olorum. É o criador da humanidade e sua função é dar forma aos humanos ainda no ventre materno. Sua cor é o branco, seu símbolo o cajado e seu dia é sexta-feira.
    IemanjáGrande orixá feminino das águas, reverenciada no Brasil como mãe de todos os orixás. Sua festa é no dia 2 de fevereiro, mas é muito homenageada na noite de 31 de dezembro nas praias do Rio de Janeiro, principalmente. Um de seus símbolos é um colar de contas cristalinas como água. Seu dia é sábado e sua cor é o azul.

  • OxumOrixá feminino das águas doces, da riqueza, da beleza e do amor. Participou da criação como provedora das águas doces. Seus principais símbolos são os seixos rolados e sua cor é o amarelo. Por causa de sua beleza, foi desejada por todos os orixás e fez vários maridos e amantes entre eles, complicando a genealogia dos orixás iorubanos. Seu dia também é sábado.
    OxóssiOrixá da caça e dos caçadores, participou da criação ensinando aos homens a caça e a pesca. Desbravador de caminhos, é o guia de Ogum na remoção dos obstáculos ao crescimento espiritual e na indicação de atalhos para se atingir os objetivos. Tem por símbolo o arco e flecha. Sua cor é o verde e seu dia é quinta-feira.
    Ogum
    Orixá do ferro, patrono de todos que usam instrumentos de trabalho feitos desse metal. Participou da criação provendo as montanhas e os minerais. Seu símbolo é a espada, com a qual abre os caminhos do desconhecido, contribuindo para o avanço da humanidade. No Brasil, é ressaltado seu lado guerreiro. Sua cor é o anil ou o vermelho. Seu dia pode ser terça ou quinta-feira.
    IansãOrixá feminino também conhecida como Oyá, Iansã ganhou esse nome após esquartejar e ter sido esquartejada por Ogum. Esposa de Xangô, suas cores são o vermelho e o branco. Seu dia é a quarta-feira e seu símbolo o raio, pois seu domínio são os temporais.

  • XangôPoderoso orixá, senhor do raio e do trovão. Participou da criação controlando a atmosfera. É neto de Ogum e foi rei – alaafin – da cidade de Oyó, sendo deificado após sua morte. Seu símbolo é o machado de duas lâminas, as quartas-feiras lhe pertencem e suas cores são o vermelho e o branco.
    ExuTambém chamado Elegbara, “o dono da força”, não é um orixá, mas a síntese do princípio dinâmico que rege o universo. É o porta-voz dos orixás, o grande mensageiro, responsável por entregar aos homens as dádivas dos orixás, sejam espirituais ou materiais. Protetor dos cumpridores de seus deveres, por outro lado pune aqueles que ofendem os orixás ou falham no cumprimento de obrigações. Seu dia é segunda-feira, suas cores são o preto e o vermelho e seu símbolo é o tridente.
Òbaluàyé
Aspectos Gerais
·         DIA: Segunda-feira
·         DATA: 13 ou 16 de Agosto
·         METAL: Chumbo
·         CORES: Preto, branco e vermelho.
·         COMIDAS: Pipoca (deburu), abado, mostarda (latipá), aberém.
·         SÍMBOLOS: Xaxará ou Íleo, lança de madeira, lagidibá.
·         ELEMENTOS: Terra e fogo do interior da Terra.
·         REGIÃO DA ÁFRICA: Empé ou Mahi (no ex-Daomé)
·         PEDRA: Turmalina negra.
·         FOLHAS: Canela-de-velha, picão, erva-de-bicho, velame, manjericão roxo, barba-de-velho, mamona.
·         ODU QUE REGE: Odi, Etaogundá, Obeogundá.
·         DOMÍNIOS: Doenças epidêmicas, cura de doenças, saúde, vida e morte.
·         SAUDAÇÃO: Atotoó!!!

Origem e História
Omolu é a Terra! Essa afirmação resume perfeitamente o perfil desse orixá, o mais temido entre todos os deuses africanos, o mais terrível orixá da varíola e de todas as doenças contagiosas, o poderoso “Rei Dono da Terra”.
È preciso esclarecer, no em tanto, que Omolu está ligado ao interior da terra (ninù ilé) e isso denota uma intima relação com o fogo, já que esse elemento, como comprovam os vulcões em erupção, domina as camadas mais profundas do planeta.
Toda a reflexão em torno de Omolu ocorreu colocando-o como um orixá ligado a terra, o que é corretíssimo, mas não deixa de ser um erro desconsiderar a sua relação com o fogo do interior da terra, com as lavas vulcânicas, como os gases etc. o que pode ser mais devastador que o fogo? Só as epidemias, as febres, as convulsões lançadas por Omolu! Omolu é o fogo que varre, que arrasta para a morte – como as lavas de um vulcão. Uma cantiga de Jagun, uma qualidade guerreira de Obaluaiê (Obalúayé), comprova o que foi dito:
Ele é o senhor que pode afligir o mundo com pestes e doenças.
Pode afligir a Terra e devastar como o fogo.
Pode afligir o despertar e o adormecer.
Ele é Ajagunán.
Orixá cercado de mistérios, Omolu é um deus de origem incerta, pois em muitas regiões da África eram cultuados deuses com características e domínios muito próximos aos seus. Omolu seria rei dos tapas, originário da região de Empé. A esse respeito, a história revela que Obaluaiê, acompanhado de seus guerreiros, teria se aventurado pelos quatro cantos da Terra. O poderoso orixá massacrou todos os seu inimigos, um ferimento feito por sua flecha tornava as pessoas cegas, surdas ou mancas. Em território Mahi, no antigo Daomé, chegou aterrorizando, mas o povo do local consultou um babalaô que lhes ensinou como acalmar o terrível orixá. Fizeram então oferendas de pipocas, que o acalmaram e o contentaram. Omolu construiu um palácio em território Mahi, onde passou a residir e a reinar como soberano, porém não deixou de ser saudado como Rei de Nupê em pais Empê (Kábíyèsí Olútápà Lempé).
As pipocas, ou melhor, deburu, são as oferendas prediletas do orixá Omolu; um deus poderoso, guerreiro, caçador, destruidor e implacável, mas que se torna tranqüilo quando recebe sua oferenda preferida.
Como se pôde observar, até aqui temos utilizando os nomes Omolu e Obaluaiê indistintamente pra designar o grande orixá das doenças epidêmicas, e não há nada de errado nisso. Obaluaiê significa ‘Rei dono da Terra’e Omolu,’Filho do senhor’, resta saber que ‘Senhor’ é o pai de Omolu. Ao analisar separadamente cada palavra que forma os nome desse orixá, a questão fica mais clara:
OBALUAYÊ= OBÁ + OLU + AYÉ
OMULU= OMO + OLU

Portanto Omolu é, sim, o filho do senhor, mas do senhor Obaluaiê. Trata-se de duas qualidades do mesmo orixá, mas as pessoas costumam confundir as coisas e dizer que Omolu é o pai e Obaluaiê o filho, esse é um equívoco que se reproduziu ao longo dos anos.
Na África são muitos os nomes de Omolu, que variam conforme a região. Entre os tapas era conhecido Xapanã (Sànpònná); entre os fon era chamado de Sapata-Ainon,que significa ‘Dono da Terra’; já os iorubás o chamam Obaluaiê e Omolu.
Omulu nasceu com o corpo coberto de chagas e foi abandonado por sua mãe, Nanã Buruku, na beira da praia. Nesse contratempo, um caranguejo provocou graves ferimentos em sua pele. Iemanjá encontrou aquela criança e a criou com todo amor e carinho; com folhas de bananeira curou suas feridas e pústulas e a transformou em um grande guerreiro e hábil caçador, que se cobria com palha-da-costa (ikó) não porque escondia as marcas de sua doença, como muitos pensam, mas porque se tornou um ser de brilho tão intenso quanto o próprio sol. Por essa passagem, o caranguejo e a banana-prata tornaram-se os maiores ewò de Obaluaiê.
O capuz de palha-da-costa-azê (azé) cobre o rosto de Obaluaiê para que os seres humanos não o olhem de frente (já que olhar diretamente para o próprio sol pode prejudicar a visão). A história de Omulu explica a origem dessa roupa enigmática, que possui um significado profundo relacionado à vida e à morte.
O azê guarda mistérios terríveis para simples mortais, revela a existência de algo que deve ficar em segredo, revela a existência de interditos que inspiram cuidado medo, algo que só o iniciados no mistério podem saber. Desvendar o aze, a temível máscara de Omulu, seria o mesmo que desvendar os mistérios da morte, pois Omulu venceu a morte. Embaixo da palha-da-costa, Obaluaiê guarda os segredos da morte e do renascimento, que só podem ser compartilhados entre o iniciados.
A relação de Omolu com a morte se dá pelo fato de ele ser a terra, que proporciona os mecanismos indispensáveis para a manutenção da vida. O homem nasce, cresce, desenvolve-se, torna-se forte diante do mundo, mas continua frágil diante de Omolu, que pode devorá-lo a qualquer momento, pois Omolu é a terra, que vai consumir o corpo do homem por ocasião de sua morte. Por isso é que se diz que Omolu mata e come gente.
Essa é a prova de que Obaluaiê andou por todos os cantos da África, muito antes, inclusive, de surgirem algumas civilizações. Do ponto de vista histórico, Omolu é a idade anterior à Idade dos Metais, peregrinou por todos os lugares do mundo, conheceu todas as dores do mundo, superou todas. Por isso Omolu tornou-se médico, o médico dos pobres, pois, muito antes da ciência, salvava a vida dos desvalidos; durante a escravidão, só não pôde superar a crueldade dos senhores, mas de doenças livrou muitos negros e até hoje muitos pobres só podem recorrer a Omolu que nunca lhes falta

 

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

As lágrimas de um preto velho

"AS SETE LÁGRIMAS DE UM PRETO VELHO".
Num cantinho de um terreiro, sentado num banquinho, fumando o seu cachimbo um triste Preto Velho chorava. De seus olhos molhados, esquisitas lágrimas desciam-lhe pela face e... Foram sete.
A Primeira... A estes indiferentes que vem no Terreiro em busca de distração, para saírem ironizando aquilo que suas mentes ofuscadas não podem conceber;
A Segunda... A esses eternos duvidosos que acreditam, desacreditando, na expectativa de um milagre que os façam alcançar aquilo que seus próprios merecimentos negam;
A Terceira... Aos maus, aqueles que somente procuram a umbanda em busca de vingança, desejando sempre prejudicar ao semelhante;
A Quarta... Aos frios e calculistas, que sabem que existe uma força espiritual e procuram beneficiar-se dela de qualquer forma, e não conhecem a palavra gratidão;
A Quinta... Chega suave, tem o sorriso, o elogio da flor dos lábios, mas se olharem bem seu semblantes verão escrito: creio na Umbanda, nos teus Caboclos e no teu Zambi, mas somente se resolverem o meu caso ou me curarem disto ou daquilo;
A Sexta... Aos fúteis, que vão de centro em centro, não acreditando em nada, buscam aconchego, conchavos e seus olhos revelam um interesse diferente;
A Sétima... Como foi grande e como deslizou pesada! Foi à última lágrima, aquela que vive nos olhos de todos os Orixás. Aos médiuns vaidosos (as), que só aparecem no Centro em dia de festa e faltam as doutrinas. Esquecem que existem tantos irmãos precisando de caridade e tantas criancinhas precisando de amparo material e espiritual.